segunda-feira, 27 de março de 2023

ESTUDAR ARTE PRA QUÊ?

O GRITO, Edvard Munch (1893)
O GRITO, Edvard Munch (1893)

Enquanto professor licenciado em Artes Plásticas, posso afirmar que esta é uma pergunta que sempre se repetirá enquanto não acontecer uma revolução na forma com que a Arte é ensinada nas escolas públicas brasileiras. Ainda que respaldada legalmente (Lei 9394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Art. 26, § 2º), a desvalorização do ensino da Arte persiste por parte dos sistemas de ensino (leia-se MEC, secretarias estaduais e municipais de educação), dos professores de outras disciplinas, das equipes gestoras das escolas e dos próprios alunos.
Os sistemas de ensino desvalorizam o ensino de Arte na medida em que insistem na manutenção da carga horária desta disciplina baseada em apenas uma aula por semana. Sinceramente, o que é possível ensinar/aprender em cinquenta minutos de aula de Arte por semana, diante de quatro ou cinco vezes mais tempo de aulas de Língua Portuguesa, Matemática, História etc? Os sistemas de ensino desvalorizam o ensino de Arte enquanto fazem vista grossa para o fato de existir professores de outras disciplinas, sem a mínima formação necessária,  "FINGINDO QUE ENSINAM ARTE PARA ESTUDANTES QUE FINGEM QUE APRENDEM" como já dizia Cristovam Buarque, somente para "COMPLETAR CARGA HORÁRIA". Os sistemas de ensino (neste caso, o MEC) desvalorizam o ensino de Arte quando distribuem pelo PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), livros didáticos de Arte que obrigam o professor formado em somente uma das 4 linguagens da Arte (Artes Visuais, ou Teatro, ou Música, ou Dança) a ser polivalente. A polivalência no ensino de Arte foi superada a décadas e existe uma graduação diferente para cada uma das já citadas 4 linguagens da Arte.
Os professores de outras áreas do conhecimento desvalorizam o ensino de Arte quando insistem em pedir para o professor de Arte “COMPLEMENTAR” propostas iniciadas por eles em suas próprias disciplinas com algum trabalhinho artístico sobre temas nem sempre afetos à Arte. Isto toma precioso tempo de uma ínfima carga horária semanal, onde certamente os estudantes estariam aprendendo conteúdos programados pelo professor de Arte.  A Arte não é bengala, a Arte educa per si. Equipes gestoras desvalorizam o ensino de Arte quando veem no professor um “DECORADOR”, que tem por obrigação planejar e executar projetos decorativos para eventos escolares. Estas atitudes aparentemente inocentes privam o professor de intervalos de tempo destinados a planejar e/ou transmitir conteúdos dentro de sua área de formação.
Os estudantes desvalorizam o ensino de Arte quando não reconhecem importância alguma em estudá-la. Apenas reproduzem a hierarquia de importância das disciplinas construída há décadas no imaginário popular. Isto se reflete no desinteresse pelas atividades propostas, que proporcionam vivências e experiências que somente a Arte permite experimentar. Importante é aprender Português e Matemática, o resto se der.
Quem se permite experimentar uma linguagem artística transforma sua forma de compreender o mundo, maximiza sua capacidade de concentração e fortalece sua autoestima.

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